quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Fascículos da Vida



As melhores histórias
jamais serão escritas
ficam para sempre na nossa memória...
São algo tão nosso,
tão pessoal,
que nunca poderão ser reveladas...!


Graça Grega

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Se me Abraçares, Não Partas...


Se partires não me abraces - a falésia que
se encosta
Uma vez ao ombro do mar que se quer barco
para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.

Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a
convulsão
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos
búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te
perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como
um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me
abraces -

O teu perfume preso à minha roupa é um
lento veneno
nos dias sem ninguém - longe de ti, o corpo
não faz
senão enumerar as próprias feridas ( como a falésia
conta as embarcações perdidas nos gritos do mar ) ; e
o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor
desapareça

Se me abraçares, não partas...

Poema de Maria do Rosário Pedreira in

" O Canto do Vento nos Ciprestes "

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Poema Para Um Ano Novo


Minha Aldeia

Minha aldeia é todo o mundo.
Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.

Bate o sol na minha aldeia
com várias inclinações.
Ângulo novo, nova ideia;
outros graus, outras razões.
Que os homens da minha aldeia
são centenas de milhões.

Os homens da minha aldeia
divergem por natureza.
O mesmo sonho os separa,
a mesma fria certeza
os afasta e desampara,
rumorejante seara
onde se ondeia em beleza.

Os homens da minha aldeia
formigam raivosamente
com os pés colados ao chão.
Nessa prisão permanente
cada qual é seu irmão.
Valências de fora e dentro
ligam tudo ao mesmo centro.
numa inquebrável cadeia.
Longas raízes que imergem
todos os homens convergem
no centro da minha aldeia.

António Gedeão


Ao romper do novo ano
não esqueçam que os
sonhos possuem asas
asas de desejo de esperança
e de concretizações...

Um excelente 2008 para todos


Graça Grega

sábado, 15 de dezembro de 2007

Poema de Natal



Quando um ramo de doze badaladas
se espalha nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com pinhas,

menino eras de lenha e crepitavas
porque de fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol sombra flagelo

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.

Natália Correia
( O dilúvio e a Pomba )


" Para isso fomos feitos:
para lembrar e ser lembrados. "

Vinucius de Moraes

Para os leitores assíduos ou ocasionais do meu blog,
desejo um Feliz Natal e um obrigada por partilharem
alguns dos vossos momentos de lazer comigo.
Para vocês o meu melhor sorriso..:-))

Graça Grega

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

A Vida É Um Forno


A vida é um forno
onde se coze o pão
padeiro é o fôlego
fermento o coração

Amassado com gosto
com esforço e paixão
cada broa é um consolo
promessa, missão.

O espírito é a massa
a côdea é o corpo
conforme a chama
sai duro ou sai fôfo...

Silvério Gabriel de Melo
( tirado da net )

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Curiosidades


A natureza
presenteia-nos com alguns
fenómenos curiosos.
E a mão do homem, faz o resto...


Graça Grega

terça-feira, 27 de novembro de 2007

E Ninguém Mais Entrou


A casa das recordações
tem um misto de lembranças boas e saudades imensas.
Por vezes faltam as palavras certas para a descrever...
saudades de tudo
dos sítios por onde passaram
das emoções vividas...
dos momentos a dois
da labuta do dia a dia
dos longos serões à lareira nas noites de inverno.
Dos risos das crianças...
dos abraços apertados.
Saudade do amor sentido
saudades simplesmente dos olhares trocados...
Esta casa é um mundo de recordações.
Um mundo vivido a dois!!!


Graça Grega